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MÉTODOS CIENTÍFICOS

Olá, aqui estamos para um post de metodologia científica.

Hoje vou escrever mais especificamente sobre Métodos Científicos iniciando ao destacar que o MÉTODO CIENTÍFICO foi conceituado por vários pesquisadores.

Entre estes conceitos algumas expressões são mais recorrentes, como as palavras: caminho, ordem, procedimento, forma e etc.

Todas elas nos servem de indícios do sentido daquilo que deve ser entendido por Método Científico, que surgiu através de uma sequência de eventos históricos que desembocaram na forma como o vemos atualmente.

No início os fenômenos eram explicados com fundamento nas crenças. O mundo dos espíritos era suficiente para fazer os povos entenderem os motivos pelos quais chovia, fazia sol, havia uma boa ou má colheita.

Mas estas explicações, por motivos espirituais, começaram a ser insuficientes.

Algumas pessoas passaram a procurar justificativas racionais para os fenômenos naturais dando abertura à Filosofia.

O esforço intelectivo passou a ocupar lugar ao lado da fé para compreensão dos fenômenos terrestres.

Em um terceiro momento ao esforço intelectivo juntou-se a observação e experimentação, feita deliberadamente, registrada e repetida, inaugurando uma nova era na busca pela compreensão dos fenômenos por meio de procedimentos específicos.

A era da ciência se inaugurava.

O método científico evoluiu por meio de contribuições dos mais diversos estudiosos e atualmente está assentado em etapas bem conhecidas, são elas:

1ª) O descobrimento do problema. Por exemplo: a delinquência na juvenil;

2ª) A colocação precisa do problema. Por exemplo: descobrir quais fatores são preponderantes no desenvolvimento da delinquência na adolescência, dos 12 aos 17 anos na cidade de Macapá na última década.

3ª) A procura de conhecimentos ou instrumentos relevantes para solucionar o problema. Por exemplo: quais livros, quais tipos de pesquisa serão necessárias.

4ª) A tentativa de solução do problema com auxílio dos meios identificados. É a “mão na massa”. É efetivamente utilizar os meios da fase anterior para encontrar uma resposta.

5ª) A invenção de novas ideias ou produção de novos dados empíricos. A fase anterior poderá trazer novas perspectivas sobre o problema ou a produção de novos dados ainda não visualizados;

6ª) A Obtenção de uma solução que poderá corroborar a hipótese ou não corroborá-la.

7ª) A investigação das consequências. O resultado da investigação exige que se pense nas consequências do resultado. Esse resultado altera a compreensão atual do problema e pode gerar uma nova conclusão ou pode atingir problemas relacionados?

8ª) A confirmação da solução encontrada;

9ª) Quando a solução proposta está incorreta é necessária a correção das hipóteses, teorias, procedimentos ou dados empregados.

A concepção atual do MÉTODO CIENTÍFICO de Marconi e Lakatos é que se trata de um conjunto de ideias e ações sistematizadas para atingir objetivo, de modo mais seguro e econômico, para detectar erros e fazer melhores escolhas.

Existem métodos com características bem definidas e que se aplicam a finalidades distintas e em classificação mais ampla a metodologia do trabalho científico se divide em MÉTODOS DE ABORDAGEM e MÉTODOS DE PROCEDIMENTO

Os métodos de abordagem correspondem à abordagem mais ampla, em nível de abstração mais elevados, dos fenômenos da natureza e sociais.

Os métodos de procedimento são etapas mais concretas na pesquisa, menos abstratas, e que visam dar melhor explicação aos fenômenos analisados.

São quatro os métodos de abordagem.

O primeiro deles é o MÉTODO INDUTIVO que é aquele que se diz partir dos fatos particulares para encontrar regras gerais.

Como por exemplo, ao observar que um gato tem quatro patas e que outro também tem e mais outro também possui se estrai a regra que todos os gatos possuem quatro patas.

Existem algumas fases do método indutivo.

A primeira dela é a observação dos fenômenos, como por exemplo, quando se observa que as maçãs caem em direção ao solo.

A segunda fase é a descoberta da relação entre os fenômenos observados. No caso das maçãs é a descoberta que há uma força que atrai estes objetos para o solo.

E a terceira fase é a construção da generalização. No exemplo que estamos usando, generalizar indica que essa força possui uma aceleração que é igual para todos. A gravidade produz a aceleração de 9,8 m/s2.

O que sustenta a indução é o DETERMINISMO, ou seja, é a convicção de que se as coisas aconteceram desta forma no passado continuarão acontecendo igual no futuro. Por exemplo: O sol nasce há milênios e isso é o que faz termos fortes razões para dizer que ele nascerá amanhã.

Alguns cuidados são necessários no método indutivo: um deles a verificação se os fatos são realmente idênticos; o outro é se a relação entre ele é verdadeira e por final a quantidade dos fenômenos observados.

A quantidade remete para os problemas da amostragem insuficiente e para a amostragem tendenciosa.

Seria insuficiente, por exemplo, a amostragem de uma centena de pessoas para testar um medicamente e afirmar que ele é seguro.

Seria tendenciosa uma amostragem de um reduto eleitoral de determinado político para prever a tendência do eleitorado de uma cidade, estado ou país.

O outro método de abordagem é o DEDUTIVO, que é o que se diz partir das generalizações e vai para as particularidades.

É um método muito utilizado, por exemplo, na matemática.

Existem argumentos dedutivos e indutivos e a diferença entre eles é que no argumento dedutivo a conclusão está contida nas premissas enquanto que no argumento indutivo a conclusão extravasa o conteúdo das premissas.

Há especial importância no argumento condicional que é esquema lógico no qual por meio da constatação de antecedentes e consequentes se alcança determinadas conclusões.

Exemplo de argumento condicional da forma de afirmação do antecedente é:

Se Pedro é brasileiro, então Pedro é sulamericano;

Ora, Pedro é brasileiro.

Então, Pedro é sulamericano

O terceiro método de abordagem é o hipotético-dedutivo que foi desenvolvido por Karl Popper e está esquematizado da seguinte forma: um problema é identificado; se tenta resolver este problema por meio de uma teoria-tentativa, ou conjectura, proposta em forma de argumento condicional “se,…. então…”; submete-se esta conjectura à eliminação do erro, o falseamento, uma bateria de testes onde a conjectura será testada, que poderá ser corroborada ou não corroborada. Em qualquer uma das consequências se abre oportunidade de trabalhar um novo problema.

O quarto método de abordagem é o método dialético, composto por quatro leis principais.

A primeira é a da ação recíproca, ou tudo se relaciona, que significa que os fenômenos estão a receber e exercer influência e isto deve ser considerado na pesquisa científica.

A segunda lei é a mudança dialética ou negação da negação na qual se afirma que uma tese, será seguida por uma antítese e será sucedida por uma síntese, sendo que esta última não é o retorno para a tese, nem o resumo de tese e antítese, mas é um novo estádio no conhecimento.

A terceira lei é a Passagem da quantidade à qualidade ou mudança qualitativa. Isso quer dizer que muitos fenômenos podem ser mensurados e em alguns casos a mudança numérica da grandeza gera uma mudança de qualidade do fenômeno. Um exemplo disto é a água que quando a temperatura sobe aos 100º celsius  gera ebulição mudando a qualidade da matéria de líquida para gasosa.

A última lei é a interpenetração dos contrários, contradição ou luta dos contrários que é a percepção de que os fenômenos possuem uma contradição interna inerente ao fenômeno. Por exemplo, a democracia possui por natureza a divergência de ideias que lutam para se estabelecerem como maioria na sociedade.

Estes quatro métodos de abordagem não se misturam. Em uma pesquisa científica é escolhido um deles para nortear o trabalho.

Por outro lado existem métodos de procedimento diferentes que geralmente são utilizados em combinação.

O método histórico visa reconstruir uma realidade, desde a gênese, para trazer elementos que ajudem na compreensão e explicação do fenômeno estudado.

O método comparativo pretende comparar realidades distintas, no tempo ou no espaço, ou ambas, na busca de similaridades e diferenças que possam contribuir na compreensão e explicação do objeto de estudo.

O método tipológico visa dar uma contribuição ao oferecer um modelo ideal. Isso é feito por meio do exame da realidade e da consequente construção de um modelo que não existe na realidade. Foi o que fez Platão na obra a República que a construiu após observar os diversos modelos de estados existentes naquela época.

O método monográfico é um estudo profundo e detalhado de um determinado fenômeno sob várias perspectivas diferentes. Esse fenômeno deve ser representativo o suficiente para ajudar a compreender e explicar outros similares. Por exemplo, pode ser estudado o fenômeno do escalpelamento na ilha do Marajó. Este fenômeno deve ter muitas similaridades com outros que ocorrem em várias regiões fluviais da Amazônia brasileira.

O método funcionalista estuda as funções desempenhadas por determinados componentes da sociedade, como por exemplo, as funções que um pequeno grupo isolado deve exercer para garantia da sobrevivência.

O método estruturalista parte da realidade para fazer uma representação comunicacional e abstrata deste fenômeno que servirá para estudo e análise de outros fenômenos similares.

É isso pessoal.

Até a próxima.

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